quarta-feira, 20 de julho de 2011

noites sem fim

 

E das palavras e sentenças, vai-se crendo em outras tantas. Querendo que os olhos sejam os mesmos. Dizendo e dizendo já não se ouve. O que chamam disso ou daquilo, nem sei saber o que é, pois se sinto, não tenho, a palavra me falta, a mim que repito. Tento combinações outras, maneiras novas. Mas vejo logo “não, não é assim, soa tão sem sabor”. Nem perto do que gostaria que fosse: a palavra é pobre. E a palavra é podre.

Tudo se assemelha a uma mão no vazio, caindo, lentamente no espaço vazio. Se escuto, falta, falha, confunde e torce. Ainda assim, por vezes, a queda pára, a dúvida pára. Passa a nuvem. Iguais são os olhos e ninguém diz mais nada.
Nem mesmo eu.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Recortes


Escrevi. Perdi a referência, apaguei e depois joguei fora. Mudar de assunto e falar sobre o que vi ou invento que vi...
Do cara que anda pela rua. Olhando pro alto, ver se cai.... o que? Pomba merda gente grana? Esperando que a chuva que vem seja quente – 33º – e levemente azulada. Rio Pinheiros com cheiro de água doce, pés descalços e leves ondas. Deitado na graminha da marginal enquanto passam pacas tatus e cotias também. A procurar por aquele sorriso que também te fez rir e que veio com uma sombra, “deixe de roubar meu sol” e mais risos. Move for Me tocando pelo celular.
Cai a noite na cidade enquanto nuvens brincam entre ventos entre prédios, já acesos. Ciclistas e dínamos passam por perto com vozes que brincam ao som de correntes.
Cai a noite.
(fica assim)




segunda-feira, 23 de maio de 2011

das coisas


Do tempo-ilusão, que é escasso – apenas para quem corre sem nem ao menos poder desviar sua atenção, olhar para o lado. Da vida líquido-moderna, contendo e devorando tudo o que pode ser devorado e consumido pelo medo – este, também líquido.
Medo pelo medo. De ser visto pelo meu semelhante, de sua ferocidade, de sua (pseudo)-(in)diferença. Medo do medo dele em relação a mim. Peço desculpas pelo mais leve toque, fujo do olhar terno e doce que sem querer pousa em minhas vistas.
Da noite que chega sem deixar dormir. Quarto vazio e luz apagada: sem distração ou fuga.
E também sobre torres de força caminhando fim de tarde num mundo desolado, sendo vistas e não entendidas por viventes de outros lugares. Guitarras clássicas sendo manuseadas como tacos de baseball ceifando crianças incautas. Vidas de curta duração em festas sem fim.
Entre um gole de café e outro e um trago no cigarro, é disso que vamos falar.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Last (k)night

















Boba, você é muito boba. Tudo isso...
Foi o que eu disse, virando de costas e balançando a cabeça. Indo em frente. Mas diga sim, diga que fica, diga que não, que não fica, que se vá. Que isso se acabe, de um jeito ou de outro. Ao mesmo tempo, não diga nada, que tudo já foi dito e estamos cansados demais de tudo isso. 
E agora? Noites sem fim, insone na cama até a exaustão 6 da manhã? não é essa minha escolha. Tudo a seguir, outros acontecimentos, mais a somar ao que já se tem - loucura viagens sonhos pessoas. Expansão: não é o fim, nem começo nem nada: apenas uma bela somatória de final zero; sol se levanta, lua que se vai. Nada de novo por aí... - há tanto que tudo está aí. 
Enquanto isso, acordo, pisco um olho, resmungo e acendo um cigarro. Lembro da noite passada e tenho recortes de diálogos que não batem, histórias malucas e... 
Digo que está tudo bem, há tanto o que se fazer agora. Tanto que se ver, o mundo é grande

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

bagunça















e sinto. seu tesão, seu cheiro, seu gosto. e tremo. minha cabeça dá voltas, lembro de respirar. e vejo. o suor que escorre pela sua nuca, a gota fria que desce pelas suas costas e continua pela minha mão. me acordando prá ver que o meu corpo/seu corpo é o mundo todo. e me esqueço. me perco em você - que já mal sabe quem é e também sente-treme-respira - enquanto mapeio seu tigre, percorrendo suas linhas, suas nuvens. folhas de cereja com sabor do seu ombro.
gatos correm pelos telhados, chuva que faz barulho na garagem. um vizinho que canta sozinho músicas noite adentro. cheiro de velas e sexo pelo quarto. 4 da manhã.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

(...) Run Free














é mais ou menos assim que acontece: eu espero, como quem não quer nada. evito as putas, os malucos que passam balbuciando e o resto. Não, não tenho. é o último cigarro. pedaços de músicas me distraem enquanto ela... chegou. 
de não ver mais nada atravessar a rua por entre os carros noite quente brilhando e rindo gato de Cheshire incrível... Oi. um pouco de sorrisos e o mundo um pouco diferente, menos quebrado. vamos dançando pelas ruas, nossas sombras pelos becos: o balanço é bom; segura a minha mão enquanto os prédios giram - não quero dizer que dançam entre si, seria muito estranho.
passam-se horas e seguimos a esmo em nossa festa, paradas furtivas enquanto beijos passam por nós.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sem tic-tacs















mais um. e que, sim, se parece com outro à soma, mais tempo e memória. digo "isso também". tanta coisa aconteceu e 1 ano que se tornou 2 pulou prá 5. nesse tempo e hoje, continua difícil dormir - o caminho até o quarto é excruciante - e me sinto um tanto atrasado com o tempo que parece acelerar. 
ainda assim, é muito divertido quando caímos na piscina num dia de (um puta) sol e a única preocupação é "meu-deus-não-deixa-a-breja-cair-na-água-!" ainda é muito divertido quando a proposta é ir ao rodízio japa e comer durante 3 horas, até sermos expulsos. e tanto, tanto mais que mal é possível lembrar.
então é isso, e talvez, por isso, continuar. entre amigos família filmes gatos cerveja viagens bikes sorrisos almoços jantares cafés da manhã sexo prédios noite são paulo livros música quadrinhos/banda desenhada. vida. 
continuar. e feliz aniversário.  (que já foi, no dia 30 último, vale lembrar)


*******
Lembrete: devido ao andamento do mundo (no qual minha influência é pouco sentida), planos de passar o ano-novo muito louco na avenida paulista...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

L'esprit de l'escalier


No meio do caminho, providencialmente, me deparo com 2 garrafas de cerveja vazias. Enquanto, com um chute, vejo as duas virarem cacos de encontro ao muro, penso que poderia ter dito algo diferente, algo que fizesse sentido. Poderia ter dito que, mesmo tendo visto de longe, pelo (belo) andar sabia que você estava de salto alto. Poderia ter dito que, apesar da distância, eu pude contar cada movimento do vestido enquanto você ia embora.
Passam-se 15 segundos até que eu te perca de vista. Passam-se 4 no ônibus enquanto penso/decido/me movo em direção à porta e desço. Passam-se 2 segundos e um vôo de garrafas enquanto penso nisso tudo. 
E dias, dias enquanto remôo seu olhar (tentando ser) distante, sua voz (querendo ser) fria e seus olhos, tentando não derramar as lágrimas que já os deixou vermelhos. Dias.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Hein?

Quando algumas palavras específicas são ditas, devido à maneira e contexto em que aparecem, acredito que é, sim, necessário ouvir.
Mas ouvir é dificil: confesso não ter o hábito - mesmo quando falam diretamento comigo. Ressalto que não possuo ouvidos de mercador - tanto pq sou um péssimo negociante.
Então, ando por aí, cego e surdo, a não ser em relação à minha própria loucura.
(e não tem foto neste e nem no anterior, fodam-se....)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pick a number... (a foto chega mais tarde)

Se fosse Crumb¹, alguém gritaria "ALMÔNDEGA!". Fosse novela, seria papo prá outro capítulo. Mas não. Também não foi um sonho, está acontecendo agora: acordo numa cama (que não me é) estranha. Um ronronar que faz toda a diferença me faz lembrar.
Então, paro. Olho para o teto; sensação de bem estar. DELA é o corpo quente ao lado, DELA é o sabor - ainda - na minha boca. Sorrio, sei onde onde estou e é onde escolhi estar.
Ainda é cedo, ouço alguns carros na rua - não tão longe -, uns pássaros achando que ainda existe Mata Atlântica, madeira estalando. Ainda é cedo. Então, viro pro lado e junto meu corpo ao dela: sinto seu cheiro e volto, lentamente, a dormir.


*******
Explicações:
¹: (Robert) Crumb (30 de agosto de 1943, Filadélfia, Pensilvânia) é um artista gráfico e ilustrador, reconhecido como um dos fundadores do movimento underground dos quadrinhos americanos, sendo considerado por muitos uma das figura mais proeminentes deste movimento, cujo ponto de partida foi publicação do gibi artesanal, Zap Comix, idealizado por ele.