segunda-feira, 23 de junho de 2008

Excerto



"Era a metróple no auge do movimento cotidiano. Era a cidade que faz medo, que toma afisionomia desumana, que atira para a frente milhares de seres que vão levando suas decepções, seus ódios, seus amores, suas misérias e suas esperanças, sem saber como livrar-se de uns e encontrar outros."

Assim somos, não é mesmo?
(retirado do livro "Reflexos - Crônicas", de Nair Lacerda - esta, avó de um grande amigo meu)

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Nada de novo no front...



- Quanto mais corremos em sentido oposto, mais nos aproximamos. Não é, Letícia?
- Por favor, não começa com as sua filosofias de bar.
- Até poderia não começar, não fosse o fato de estarmos em um.
- Ok, sem cinismo, Sérgio. Diz logo o que você quer.
- Nada, oras. Te vi passando,estava aqui, bebendo sozinho e te chamei. Só isso. Cerveja?
- Olha, se você pensa...
- Eu não penso nada. Só perguntei se você quer beber. Outra vez: cerveja?
- ...
- Lê, eu já disse que...
- Não.
- ... que você fica ótima quando assopra assim, para cima? Se bem que o melhor é sua carranca de contrariada...
- E o que você queria?! Que eu aparecesse, desse 2, 3 risadas e que estaria tudo bem?! Novidade, querido: NÃO ESTÁ TUDO BEM!
- Pára, Letícia... deixa de ser louca, por 3 minutos, ao menos. Pode ser?
- Precisa ser sempre assim com a gente?
- Não sei se precisa, mas é sempre desse jeito...
- Sérgio, você precisa falar tão perto?
- Preciso?
- A-acho... que... não... não! Chega! Põe na tua cabeça, de uma vez: acabou. Me esquece.
- Claro. Entendo quando você diz isso, que acabou e tudo o mais. Eu só não concordo.
- Mas acabou, Sérgio. Não dá mais. E, se você não tem nada para me dizer, eu vou embora. Começou o batuque? Ficou nervoso?
- Você me irrita, eu te irrito...
- Tchau!- Espera! Ainda não terminei!
- Solta meu braço!
- Eu solto. Você senta?... Pronto? Obrigado.Como eu já disse, discordo...
- Discorde o quanto quiser. Não dá mais para consertar. Não há mais nada para consertar.
- Continuo discordando......A verdade, é que não foi preciso fazê-la sorrir...
- Por que terminamos?
- Sei lá!
- Eu também não lembro, Letícia...
- Você tem problemas...
- Você é quem tem. E tem mais um agora, te olhando...
- Páraaaaaaa...
Agora sim. Risos.