segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Head over the wheels











Existe uma fábrica perto da minha casa. na fachada, não há placas, nenhum tipo de sinalização. nada. e me pergunto o que fazem por lá.

só sei que a qualquer hora do dia ou da noite as chaminés expelem fumaça sem parar. não me lembro de não tê-las visto funcionando.

fumaça. por isso chego a pensar que fabrica-se morte nessa fábrica. de repente intuo que o carros fabricam o mesmo, só que de forma reduzida. pequenas mortes, se é possível dizer pequenas mortes.

penso na pressa, no corre corre de todos os dias. prá onde corremos. prá onde corremos? começo a repassar cada rosto mal humorado e carrancudo, protegido pelo vidro. em cada riso e sobrancelha em pé me olhando pelo retrovisor. em cada buzina irritada (tanto por isso, irritante) e também nas, por sua vez, gentis - "um aviso de cuidado comigo mas eu também te vejo", talvez? talvez.

e vou pedalando, ora correndo, ora mais leve. minha pressa, no entanto, poucas vezes é a de chegar. é uma pressa de ver, como se, correndo, eu pudesse entender.