quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Das quase surpresas e todo o resto















Acorda-café-alguma-coisa-em-casa-trabalho-casa-rango-...
Rotina.
Enquanto isso me distraio da memória. Do que não é mais, ouvindo It Could Be Sweet. Paradoxal.
Percebi, há alguns dias, que envelheci uns 5 anos em 2: me sinto cansado e ando por aí com mais espíritos da escada do que com os quais gostaria de contar. 
Mais uma escolha, hoje, que teria feito muita diferença. Mais uma.

domingo, 26 de setembro de 2010

Nameless

Quero uma vida diferente. uma explosão. um sonho...
10 da noite. preciso me preparar. a casa não é longe, mas não importa. 5 anos já e ainda não me acostumei. nervoso, dor de cabeça e óbvio, uma conversa com o vaso sanitário. são rituais, então, quase não dou atenção.
boa noite ao porteiro - que sempre me olha com se eu fosse vagabundo, "ouvindo música alta todo dia". foda...
a casa tá cheia, o que me preocupa ainda mais. equipamento está ok, mas, com as mãos suando, enrolo e desenrolo meu headphone, enquanto, lá embaixo, pessoas bebem, se divertem. esperam. Um pouco do pino e vodca - com alguma coisa - prá relaxar, entrar na vibe.  
começo a set de leve, a batida chega, vai levando a galera prá estratosfera. subo o nível, o som, vindo de baixo, arrasta quem ainda estava no chão. mulheres dançam como se fosse a última coisa a se fazer. homens procuram mulheres como se fosse a última coisa a se fazer. garotos bebem prá.... prá beber, garotos bebendo para parecerem homens.
a noite passa e tudo se repete, aumentando a proporção. 4 da manhã. termino minha session cansado, aplaudido. não me conhecem, não sabem meu nome, mas vivem do meu som. uma garota me pára, enquanto vou a banheiro. ela parece extasiada e pergunta o que faço com a música, diz que a moldo de forma que seja só para ela. engraçado isso, mas controlo o riso e com meio sorriso digo sim, que a música é para ela. ela sorri de volta.
o resto é história velha. meu-carro-elevador-sofá-cama. e sonho,  sonho com nuvens que mixam e fazem som e chovem doces e garrafas. cheias, claro.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Paisagens Noturnas

ontem, fui para casa com medo. de descer do ônibus, da noite e dos carros passando. medo da minha sombra, se alterando no espaço a cada passo em direção ao meu castelo. o medo em questão não tinha nome nem nada: apenas uma vontade de correr e fugir do barulho-bate-estaca no meu peito.
na minha rua, mais medo, mas de entrar em casa. foi muito. fiquei no portão, sentado e fumei 1, 2, 5, 8 cigarros, um-atrás-do-outro. não que fosse adiantar, fazer diferença, não isso: sabemos: é o hábito. veio o Segunda-feira. se enroscou na minhas pernas, ronronou  num tom de entra-logo-humano-aproveita-e-troca-minha-água. Sabemos também: não se resiste a felinos.
Entrei. dei de cara com o escuro, o silêncio de pessoas ressonando. O medo não passou. Tudo bem. Mais cigarros, conversas. Mais gatos-miados-um-filme-dois-filmes.
bom dia.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Night 'n day




já passava das 3 da manhã e ele ainda se mantinha insone. não se deitou, sabia que isso lhe traria pesadelos de olhos abertos. 
deixou a garrafa do porto vazia pelo chão da sala e foi para o elevador. usou o velho macete na porta do terraço. pouca gente sabe, mas a cidade brilha, vista dessa altura.

mais um prego no caixão, enquanto acende um cigarro sentado na borda do prédio, enquanto o vento cisma em querer levar suas pernas e todo o resto. que leve! leve consigo, vento, toda a dor e frustração. leve consigo, vento, a tristeza e o vazio, que vieram quando você soprou com mais força e derrubou o castelo de areia, feito ao lado do castelo de cartas.
veio a manhã - que não brilha, é só um monte de luz que tenta esconder muitas coisas - que o encontrou sentado, beira do prédio, desejando que, só dessa vez, o dia nascesse um pouco diferente. veio a manhã igual. assim como veio ontem, assim como virá depois. Assim.



*****
Mais um gole: pouca gente sabe, mas Ás de Espadas simboliza a morte.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

sete-de-setembro


Acordo. ao levantar sinto um dia preguiçoso - tudo tem um tom acinzentado; a chuva que cai, ácida -, sem muita vontade de existir. talvez possa ser minha, a vontade, então penso que está tudo bem. é assim que começa. por enquanto está tudo bem.
café-da-manhã-banco-mercado. lembro do sonho. coisas que gostava muito de fazer, alguém com quem gostava muito de estar. no sonho, mal-estar. já no sonho, uma sensação ruim - algo não está certo. outra vida, outro mundo, outro tempo.
não somos mais os mesmos. outro eu, outra ela. por conta das mudanças e aleatoriedades, não defini como está/será. mas por enquanto, está tudo bem, ou como dizem, jusqu'à ici, tout bien.

domingo, 5 de setembro de 2010

Felicidade Fria


Subo a rua - nova rua, nova casa - e vejo que ainda está escuro apesar da hora, nove-tantas. Apenas um ipê amarelo destoa de tudo e brilha como se fosse meio-dia, num verão qualquer. Ainda assim, é um brilho frio, tal qual lâmpada fosforescente. 
Últimos dias é assim que tenho me sentido, como, ou com, uma felicidade fria, que beira a tristeza. Beira a um sorriso amarelo - como diz a música. Não chega a doer - o que é bom -, mas também não me sinto aquecido - o que é quase ruim.
Me encaminho até o ponto - tenho de ir trabalhar -  e penso que a vida se repete. Não como música eletrônica, com todas as suas viradas e voltas, não senhor. Como um blues do tipo meu-cachorro-me-demitiu-minha-mulher-fugiu-e-meu-chefe-me-pôs-prá-dormir-na-rua. Se repete com alguns lampejos furtivos de mudança - peço, é claro, não se fiem em lampejos; isso é importante. Se repete como um homem-elefante na sala; creia que um homem-elefante é absurdamente mais incômodo que um elefante em si. Faz, o 1º, com que o 2º se pareça com uma visita para um chá.
Ponto-de-ônibus-cigarro-garoa. A vida, realmente, não é ruim. Então eu sigo -com um riso amarelo.